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| Cartão postal para o céu
Ele tinha uma imagem, que transmitia segurança e lealdade. Para mim era um herói, pois nele eu me espelhava, e admirava-o pelas histórias que ele contava em volta da mesa sob a luz de um velho lampião de querosene . E eu ficava ali admirando e sonhando com lugares, por onde ele havia passado, e que contava em seus relatos . E eu com meus olhinhos brilhantes, que de vez em quando oscilavam ofuscados pela labareda do lampião soprada pelo vento, imaginando que quando crescesse, com certeza eu iria visitar os lugares os por onde ele andou . Eu me sentia, assim como um companheiro das aventuras pela qual havia passado, e as quais contava para eu e meus irmãos em volta da mesa . Enquanto a minha mãe lavava a louça do jantar, ficávamos ali se deliciando com aquelas histórias. Lembro me bem, que ele contava coisas fantásticas sobre a Chapada Diamantina lá pelo lado de Lençóis, lugar que logo com seus quatorze anos de idade , ele já conhecia e trabalhava, pois havia nascido e crescido naquela região, numa cidade chamada Palmeiras. Trabalhava como garimpeiro, lavando cascalho com a sua bateia ''espécie de peneira'' de onde tirava o pouco dinheiro, para sustentar seus irmãos, pois a família era grande, e os mais velhos tinham que começar a trabalhar cedo para ajudar no sustento. Eu cresci, tornei me homem formado. Casei-me, separei, e só depois dos filhos criados foi que consegui realizar meu sonho . Foi numa madrugada fria, que eu em meu carro comecei a subir a estrada que passa pela Chapada Diamantina, e naquele clima de mistério, com meu coração batendo forte, olhando aquele imensidão de paredões, com aquela chuvinha fina ouvindo somente o ronco do motor, e o limpador do pára-brisa naquele compasso monótono, que eu senti a presença dele, bem ali a meu lado, olhando pelos meus olhos tanta beleza, que eu ouvia em suas histórias. Lembrei me de meus olhinhos, brilhando na claridade do lampião, e uma lágrima escorreu me pela face. Gravei as imagens daquele local em minha mente, e quando fecho os olhos elas se tornam reais, como um cartão postal, que eu gostaria de enviar lá para o céu, o lugar onde tenho certeza, meu pai esta agora. |
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J.Carlos Santana Cardoso |
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